[Entrevista] TITA SACHET: "Cantar é a coisa que eu mais amo fazer na vida."
[ENTREVISTA] Por Marco Paim
HEAVYNROLL - A parceira com Rafael Gubert já dura muito tempo. Dois monstros da voz em um mesmo projeto só tinha que dar certo. Mas vocês não tem planos de dar luz a algum material inédito?
Na minha entrevista da semana, trago a vocês nada menos que a grandiosa Tita Sachet. Dona de uma voz privilegiada e um carisma excepcional, ela conta um pouco de sua história e seu trabalho ao longo dos anos.
HEAVYNROLL - Como foi a tua formação musical? Quais foram suas principais inspirações e mestres, quando percebeu que queria ser uma cantora?
TITA - Em casa sempre rolou muita música. Minha mãe era professora de música e meu pai toca violão, bandolim, canta (meu avô era músico também)... então havia esse ambiente super estimulante pra nós (eu e meus irmãos) termos um contato constante e real com a música.
Comecei cantando com meu pai nas missas dominicais. Depois, na escola, eu era solista no coral da 4ª série; em seguida entrei para o Côro de Câmara de Caxias do Sul (isso lá pelo ano de 88, eu acho) e aí tive meu primeiro professor de canto mesmo que foi o Renato Filippini, a quem admiro demais e sou muito grata pela maneira como me recebeu nessa época. Então, segui com outros professores, mas acho que a formação foi na base do exercício mesmo, eu sempre cantei muito... todo dia, muito!
Cantar é a coisa que eu mais amo fazer na vida. Acho que eu nunca percebi que queria ser cantora. Tudo foi acontecendo naturalmente e eu jamais abriria mão disso em qualquer época da minha vida, então, eu acho que a vida decidiu por mim o que eu viria a ser.
HEAVYNROLL - Você cantou em uma banda importante no cenário rocker de Caxias, a FALL UP. Como foi esta experiência, e por que, de fato, você saiu da banda?
TITA - A Fall Up foi um tempo muito especial na minha vida. Como eu costumo dizer, foi divertido, estressante, estimulante, realizador, horrível, maravilhoso, etc... etc... etc... Eu só guardo memórias boas dessa fase... os músicos da banda, a galera que trabalhou junto, eu tenho um carinho gigante por eles todos. Era uma banda muito “de verdade”... quando a gente subia no palco, a gente curtia muito estar ali juntos e tocar rock... Essa parte do show SEMPRE foi incrível!!!!
Eu saí da banda porque tive nódulos nas pregas vocais.
No início do ano (não lembro que ano (risos)) fomos tocar um show bem grande em Vacaria e o microfone sem fio falhou logo na primeira música. Obviamente não adiantaria nada, mas eu comecei a cantar muito alto (forçando demais a voz que ainda não estava aquecida suficientemente) na tentativa de compensar aquele problema. Logo o problema já havia sido resolvido, mas o estrago foi grande. Lembro que acabei o show completamente afônica. Depois, durante o ano não paramos de tocar... fizemos muitos shows, e apesar do meu esforço junto com minha fonoaudióloga (Andréa Marchetto Guerra a quem eu devo demais pelo cuidado e profissionalismo com que me tratou) o nódulo permanecia ali, insistente. Tive uma conversa séria com meu médico otorrino e chegamos à conclusão de que o melhor seria eu parar com o que estava me “machucando”. Talvez pudesse até ter acontecido de dar um tempo ao invés de sair da banda, mas foi bem na época em que havíamos assinado contrato com a Orbeat e o instrumental das nossas músicas já estava todo gravado, só faltava a voz. Aí pensei que dali pra frente haveria todo o processo de lançamento do disco (que eu não iria conseguir fazer porque ia ser pesada a rotina de canto), e resolvi sair antes disso pra que a banda pudesse seguir trabalhando.

TITA - Nossa... a gente sempre falou muito sobre isso... até temos algumas coisas compostas, mas, novamente, como eu costumo dizer, acho que o grande desafio de um músico é conseguir conciliar o que te permite viver da música e essa questão mais artística de criação e produção musical. Eu e o Rafa temos sempre muito trabalho, o que é maravilhoso porque eu adoro trabalhar com ele, e é super prazeroso o que fazemos, mas sim, seria muito legal podermos parar um tempo pra nos dedicarmos a esse “material inédito” a que te referes. Nós temos o Divisível por Tr3s, em parceria como Sandro Stecanella, que são composições nossas com a produção do Bebeto (Gilberto Salvagni)... cd que eu adorei o resultado!!!
A parceria com o Rafa já dura quase 10 anos. Acho que tá na hora mesmo. Uma hora dessas pinta um som nosso por aí.
TITA - Vários que começam e acabam. Seguidamente rola uma produção de um show específico pra apresentar uma única vez. Tem estes “semi-prontos” que estão parados, mas a qualquer momento, podem ser apresentados: Licantropia (especial Secos e Molhados), Nossa Vida Traduzida em Som (apresentado na abertura do Brilha Caxias do ano passado), Especial Cartola (especial da série Grandes Nomes apresentado em fevereiro). Temos mais umas outras 2 ou 3 ideias de show pra realizar com incentivo, mas provavelmente só a partir do ano que vem.
HEAVYNROLL - E quanto a você. Depois da Fall Up não esteve efetivamente mais em bandas. Isso não passa mais pela sua cabeça?
TITA - Pois é... às vezes até passa pela cabeça, sim... mas acho que não mais nesse formato tipo “banda de rock na noite”. Viver direto na noite cansa com o tempo. Curto a ideia de fazer um trabalho mais elaborado pra apresentar mais “cedo” entende? Que a galera possa ouvir sentado, curtindo o som, sabe?!
HEAVYNROLL - Algum outro projeto em andamento?
HEAVYNROLL - Na última votação de Melhores do Ano (2012) você ganhou a estatueta de melhor cantora. Como você reagiu a este reconhecimento?
TITA - Primeiramente fiquei surpresa por não estar mais tão presente na cena rock caxiense. Super inesperada a premiação, mas fiquei muito muito contente porque é incrível e super motivador saber que tem galera que lembra, acompanha, se identifica e curte o trabalho. Agradeço muito... de coração!!!!
HEAVYNROLL - Além de interprete, você também dá aulas de canto? O que a Tita faz enquanto não está nos palcos?
TITA - Artesanato (risos)! Não... brincadeira! Quer dizer... também isso (risos)!
Então... aulas de canto eu não dou. Tem uma galera que solicita mas eu não curto dar aula de canto, não! Enquanto eu não estou nos palcos eu estou preparando o que vai rolar nos palcos (isso toma um tempo monstruoso!!!).
Agora... fora dos palcos e também dessa parte mais laboral, eu faço muitas coisas. É que tem um detalhe que é: eu enjoo de ficar muito tempo fazendo a mesma coisa, então, eu faço de tudo um pouco mesmo (risos) ...escrevo, leio, adoro cinema, filmes, séries de tv, gastronomia, enologia, jogo basquete, vou tomar café e bater papo com amigos, faço artesanato, cuido do jardim, etc... isso tudo em pouca quantidade por vez.
HEAVYNROLL - Obrigado pela atenção. Considerações finais?
TITA - Foi um prazer Marco!!! Obrigada pelo espaço e pelo carinho de sempre!!! Vamos vivendo e cantando que essa vida é muito incrível, não é?! Beijo enorme a todo mundo e até breve!!!
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DISCOGRAFIA
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O que a Tita anda ouvindo?
"Pouquíssima coisa com a devida atenção! Mas o que tem no meu mp3 e o que eu tenho escutado no carro, então... fase super light:"
Jorge Drexler - "Eco"
Sambas de enredo 2013
Fran Duarte - "Sol da manhã"
Pat Metheny - "One quiet night"
Paul McCartney - "Kisses on the Bottom"
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